Violência e censura afetam nove em cada dez professores brasileiros

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Em todo o país, nove em cada dez docentes da educação básica e do ensino superior, tanto da rede pública quanto da privada, relatam ter sido alvo de perseguição ou ter presenciado episódios de censura no ambiente educacional

José Cruz/Agência Brasil

O dado consta na pesquisa inédita "A violência contra educadoras/es como ameaça à educação democrática", realizada pelo ONVE (Observatório Nacional da Violência Contra Educadoras/es), da UFF (Universidade Federal Fluminense), em parceria com o MEC (Ministério da Educação)

Wilson Dias/Agência Brasil

O coordenador da pesquisa, professor Fernando Penna, da UFF, explica que o trabalho teve como foco principal violências ligadas à limitação da liberdade de ensinar, tentativa de censura e perseguição política

Bruno Peres/Agência Brasil

Segundo o professor, um primeiro “dado preocupante” constatou que a censura se tornou um fenômeno disseminado por todo o território brasileiro e em todos os níveis e etapas da educação, englobando não só o professor em sala de aula, mas todos que trabalham com o assunto

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A pesquisa mostrou um percentual alto de professores vítimas diretas da violência. Na educação básica, o índice registrou 61%, e 55% na superior. “Na educação superior, foi 55%, um pouquinho menor, mas, ainda assim, está acima de 50%”, destacou Penna

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Entre os educadores diretamente censurados, o levantamento constatou que 58% relataram ter sofrido tentativas de intimidação; 41% questionamentos agressivos sobre seus métodos de trabalho; e 35% enfrentaram proibições explícitas de conteúdo

Geovana Albuquerque/Agência Brasília

Os educadores também relataram casos de demissões (6%); suspensões (2%); mudança forçada do local de trabalho (12%); remoção do cargo ou função (11%); agressões verbais e xingamentos (25%); e agressões físicas (10%)

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Fernando Penna salientou que os educadores nem precisam ter sido vítimas diretas da violência porque, quando ela acontece em uma escola ou universidade, “ela degrada o clima escolar”

Tomaz Silva/Agência Brasil

"As pessoas estão com medo de discutir temas. Estão com medo de fazer o seu trabalho como elas foram formadas para fazer e de acordo com seus saberes da experiência. O dano para a sociedade é gigantesco", afirmou Penna

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