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Existe uma ilusão recorrente entre observadores do Irã de 2026: acreditar que crises terminais produzem finais súbitos. Os protestos recentes reacenderam essa expectativa, e com razão
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Mas a verdade desconfortável é que regimes autoritários não caem apenas porque deveriam cair. Eles caem quando certas condições políticas convergem. E essas condições não necessariamente já se encontram alinhadas em Teerã
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O que torna o momento atual singular não é a intensidade da revolta, mas a natureza terminal da crise que causa os protestos. Pela primeira vez, três colapsos distintos se sobrepõem: econômico, ambiental e de legitimidade
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Dados amplamente divulgados nos últimos dias indicam que um cidadão iraniano "médio" precisaria trabalhar cem anos para comprar um apartamento. Além disso, cidades inteiras enfrentam escassez de água. O PIB estagnou enquanto a inflação devora salários e o valor da moeda derreteu
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A Revolução de 1979 não triunfou apenas pela coragem das massas, mas porque Ruhollah Khomeini ofereceu, naquele momento, algo que hoje inexiste: um projeto alternativo articulado e uma liderança capaz de unificar facções díspares
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A oposição iraniana contemporânea é um arquipélago de ilhas isoladas. Reza Pahlavi tem um sobrenome, não uma estrutura viável. Reformistas históricos envelheceram ou foram neutralizados
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Fazendo eco ao que disseram colegas especializados no ramo, como Nate Swanson, do Atlantic Council e outros, pelo menos três elementos precisam se alinhar para a queda do regime teocrático no Irã. Veja a seguir
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- Protestos persistentes em larga escala; - Oposição minimamente organizada com liderança reconhecida; - Rachaduras profundas que venham de dentro para fora do governo, passando necessariamente por quem controla o aparato de segurança
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Até o presente momento, apenas o primeiro deles está claramente dado, podendo, inclusive, ser sufocado pela violência estatal. O Irã está à beira do precipício. Isso é um fato. Mas estar à beira não significa, necessariamente, cair de um dia para o outro
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