Por que o uso recreativo de tadalafila pode ser tão perigoso

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A tadalafila, medicamento recomendado para tratar disfunção erétil em homens a partir dos 40 anos, tem sido usada de modo recreativo por jovens brasileiros. Nas redes sociais, o fármaco ganhou o apelido de “tadala” e aparece em vídeos que o apresentam como uma espécie de solução milagrosa

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O problema é que esses supostos benefícios não são amparados por evidências científicas. Na verdade, a prática pode ser muito perigosa para quem não tem indicação clínica

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Uma revisão publicada em 2024 no Diversitas Journal analisou mais de 20 estudos brasileiros e estrangeiros das últimas duas décadas e revelou que, apesar de o perfil dos usuários da tadalafila e similares ser heterogêneo, há um traço recorrente: a aquisição da medicação sem prescrição médica

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As motivações costumam estar relacionadas a fatores comportamentais e psicossociais, como a curiosidade pelos seus efeitos, o desejo de maior autoconfiança, a pressão de performar bem na relação e a tentativa de reduzir a ansiedade ou o estresse antes do sexo

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Em homens sem problemas fisiológicos, não há ganho real. Esses remédios não são capazes de manter a ereção por um período maior, nem ampliar o tempo de coito ou tornar o pênis maior e mais grosso

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 “A sensação de pump (inchaço muscular momentâneo) relatada por usuários provavelmente se deve à vasodilatação periférica transitória e representa um efeito placebo”, alerta a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), em nota publicada em 2025

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Os principais efeitos colaterais decorrem do próprio mecanismo de ação: a vasodilatação sistêmica, que leva ao rubor facial e à congestão nasal. O uso abusivo pode causar taquicardia, alteração da pressão arterial, desmaio, perda temporária de visão ou audição e, em casos mais graves, infarto, AVC (acidente vascular cerebral) e morte súbita

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No uso recreativo, o consumo desses remédios junto a bebidas alcoólicas pode levar a um efeito paradoxal: embora o álcool também cause uma ação vasodilatadora no corpo, ele é depressor do sistema nervoso central, reduzindo a atividade dopaminérgica. Como resultado, pode comprometer o sucesso da ereção

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O combate à automedicação pode se dar por meio de campanhas educativas. Além disso, o farmacêutico também deve desempenhar um papel central nessa missão, reforçando a obrigatoriedade da receita e alertando no momento da venda

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