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A ciência avança na explicação de um comportamento comum: a irritabilidade que surge quando estamos com o estômago vazio. O fenômeno — conhecido em inglês como “hangry”, fusão das palavras “hungry”, faminto, e “angry”, bravo — é mais complexo do que parece
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Um estudo publicado na revista The Lancet eBioMedicine mostra que essa é uma resposta biológica que depende da consciência de que se está com fome
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A investigação buscou entender se as variações de humor são causadas diretamente pelos níveis de glicose ou pela percepção subjetiva desse estado. Os resultados indicam que a glicose influencia as emoções de forma indireta, tendo o sentimento de fome como mediador
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Na prática, sem perceber que está com fome, a queda da glicemia tem pouco impacto sobre o humor
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“Em adultos, o estado de hangry é mais bem explicado pela percepção consciente da fome, o que nos ajuda a contextualizar melhor as conhecidas crises de irritabilidade em crianças pequenas”, explica o neurocientista Nils Kroemer, autor correspondente do artigo
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O estudo introduz um conceito central para a saúde mental: a “interocepção”, que é a capacidade do sistema nervoso de sentir e interpretar sinais internos do organismo
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A pesquisa demonstrou que pessoas com maior precisão interoceptiva — ou seja, que “escutam” melhor o próprio corpo — apresentam menor oscilação emocional. Essa consciência corporal atua como um mecanismo de controle e proteção
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“O que esse estudo confirmou é algo que a prática clínica já sinalizava há tempos: a fome não é só um número na glicemia. Ela é uma experiência construída pelo cérebro a partir de vários sinais ao mesmo tempo”, resume o médico nutrólogo Diogo Toledo
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