É possível fazer um “detox” de plástico? O que a ciência (ainda não) sabe

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O documentário "Detox de Plástico", disponível na Netflix, populariza a ideia de que seria possível fazer uma “limpeza” desse tipo de material no organismo com benefícios para a saúde

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Contudo, por mais sedutora que essa hipótese pareça, o que a ciência discute hoje é se reduzir a exposição cotidiana a esses materiais e aos compostos associados a eles pode trazer algum benefício ao organismo — e quais seriam esses efeitos

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“Do ponto de vista científico, ‘detox de plástico’ não é um conceito médico validado”, diz a gastroenterologista Patricia Almeida, do Einstein Hospital Israelita

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A expressão chama atenção e ajuda a comunicar o tema ao público leigo, mas não significa que exista um protocolo para eliminar plásticos e substâncias derivadas do organismo

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“A maioria desses compostos não permanece indefinidamente acumulada no corpo. Pelo contrário, costuma ter meia-vida relativamente curta, sendo metabolizada e eliminada”, afirma

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Grosso modo, há dois tipos de exposição: a fragmentos microscópicos dos polímeros, os microplásticos, e a aditivos químicos, como plastificantes, retardadores de chama e substâncias antiaderentes

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São esses aditivos que concentram as evidências mais consistentes de impacto sobre a saúde. Uma revisão de várias meta-análises publicada em 2024 na Annals of Global Health lista alguns efeitos,  como disrupção endócrina, redução da qualidade do esperma e doenças cardiovasculares

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Um estudo transversal publicado na Scientific Reports encontrou microplásticos na corrente sanguínea de 88,9% dos adultos saudáveis analisados, com concentração média de 4,2 partículas por mililitro

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Embora ainda faltem conclusões definitivas, o conjunto de evidências aponta para um princípio já conhecido na saúde: reduzir exposições desnecessárias, especialmente quando envolvem atitudes simples, pode ser uma estratégia prudente

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