Proibição de celular na escola tem efeito surpreendente, diz estudo

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Proibir o celular na escola melhora o desempenho dos alunos? Essa é uma das perguntas mais debatidas na educação nos últimos anos. Um estudo publicado pelo NBER (National Bureau of Economic Research), dos Estados Unidos, traz dados em larga escala para estimular essa discussão

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A pesquisa analisou quase 5 mil escolas públicas americanas que adotaram bolsas lacráveis que impedem o acesso ao celular durante todo o período escolar. Os estudantes guardam o aparelho na bolsa ao chegar e só podem retirá-lo na saída

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As bolsas são cases de tecido com trava magnética. O aluno coloca o celular dentro ao entrar na escola, e a bolsa só pode ser aberta em bases magnéticas espalhadas pelo ambiente, geralmente ao fim do turno ou em emergências. O aparelho fica com o estudante, mas é inacessível

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Esse modelo de restrição física é considerado mais rígido do que políticas do tipo "deixe o celular na mochila" ou "proibido usar em sala". Por isso, foi escolhido como objeto do estudo: permite medir com mais precisão o que acontece quando o acesso ao celular é de fato impedido

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O primeiro resultado é claro: as bolsas funcionaram para reduzir o uso. Dados de GPS mostraram queda de aproximadamente 30% na atividade de dispositivos dentro das escolas após a adoção

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O efeito médio sobre o desempenho acadêmico foi próximo de zero; nos ensinos médios, houve leve melhora em matemática, enquanto nos anos finais do ensino fundamental, houve uma pequena piora

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No primeiro ano após a adoção, o bem-estar subjetivo dos alunos caiu: a queda foi de aproximadamente 0,2 desvios-padrão, o que é considerado algo significativo. Com o tempo, porém, o indicador se recuperou e passou a ser positivo no segundo ano

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Os pesquisadores apontam algumas hipóteses. Uma delas é que, ao retirar o celular, os alunos passaram a se distrair de outras formas, como conversando mais com colegas, por exemplo

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Outra possibilidade é que, em algumas escolas, o celular tinha usos pedagógicos, e a retirada gerou lacunas no processo de ensino

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O estudo também ouviu pais e estudantes em uma pesquisa separada. Os pais, em sua maioria, apoiam a proibição e esperam melhorias em notas, relacionamentos e saúde mental. Os alunos, por outro lado, são contra e estimam que os benefícios serão menores do que os pais projetam

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Como os próprios pesquisadores destacam: o debate sobre o uso do celular na escola ainda está em construção. O que se sabe, até agora, é que proibir não é suficiente: é preciso saber o que vem depois da proibição

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