O que acontece com seu corpo quando você passa uma semana sem redes sociais

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O exercício parece simples: sete dias sem abrir Instagram, TikTok, Twitter ou qualquer rede social. Mas, para a maioria das pessoas que tentam, a experiência revela algo que passava despercebido na rotina: o quanto essas plataformas ocupavam espaço não apenas no tempo, mas na regulação do humor, do sono e da autoestima

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Para Chrystina Barros, especialista em Ciência da Felicidade pela Universidade de Berkeley, na Califórnia, uma semana é um período curto, mas suficiente para que mudanças concretas comecem a se manifestar, desde que a pessoa esteja disposta a observar o que surge no espaço que as redes costumavam ocupar

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"Já existem estudos mostrando que a redução do uso de redes sociais pode estar associada à diminuição da ansiedade, do estresse percebido e até da sensação de sobrecarga mental", afirma Chrystina

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A neurociência oferece uma camada adicional a esse argumento. Os olhos são submetidos, durante horas, a estímulos contínuos, como cores vibrantes, movimentos rápidos e recompensas imediatas, o que interfere diretamente na produção de hormônios relacionados ao sono, ao repouso e à regulação do estresse

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Chrystina ressalta, porém, que o efeito não é uniforme. Para quem usa as redes principalmente para trabalho ou para manter vínculos importantes, o afastamento pode incluir um desconforto inicial ou uma sensação de desconexão

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Um ponto que a especialista faz questão de destacar é que a discussão sobre redes sociais vai além do Instagram ou do TikTok. Aplicativos de mensagens, como o WhatsApp, carregam uma dinâmica própria de pressão. "Os dois traços azuis criaram uma expectativa de resposta instantânea", observa

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As redes sociais funcionam como um ambiente de comparação constante. As pessoas compartilham versões editadas das suas vidas (conquistas, aparências e momentos positivos), e mesmo os relatos de vulnerabilidade costumam ser cuidadosamente construídos para gerar identificação e fortalecer vínculos

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Ao se afastar temporariamente desse fluxo, muitas pessoas relatam redução da autocrítica e da sensação de inadequação. Há também, segundo Barros, um ganho de autonomia

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Quando o tempo de tela diminui, o primeiro sinal que muitas pessoas relatam não é alívio, mas desconforto. Uma ansiedade de pegar o celular, uma sensação estranha de não estar fazendo nada

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"É importante existir um esforço consciente para ocupar esse espaço com atividades que estavam sendo adiadas ou realizadas de forma fragmentada", orienta a especialista. Exercícios físicos, leitura, conversas presenciais, contato com a natureza e momentos de ócio entram nessa lista, e a Barros faz questão de incluir o ócio com naturalidade

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A proposta do detox digital, para Chrystina, não é o abandono definitivo das redes sociais. A imagem que ela usa é direta: "A diferença entre o remédio e o veneno está na dose". O desafio está em voltar a usar essas plataformas com moderação e de forma mais consciente

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