Brincar na rua ainda faz diferença? O que diz a ciência

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Poucas décadas atrás, era comum que crianças saíssem de casa depois da escola e só voltassem ao anoitecer, sem roteiro definido e sem adultos por perto supervisionando. Hoje, esse tipo de cena se tornou rara em grandes cidades

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Um conjunto crescente de estudos em psicologia do desenvolvimento tem se debruçado sobre essa mudança para tentar responder a uma pergunta simples: o que se perde, do ponto de vista emocional e cognitivo, quando a brincadeira de rua desaparece da infância?

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Para a psicologia do desenvolvimento, o valor da brincadeira de rua não está no cenário em si, mas no tipo de exercício mental que ela impõe

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 Ao negociar as regras de uma disputa, decidir quem começa o jogo ou resolver sozinha um imprevisto, a criança pratica negociação, tolerância à frustração e tomada de decisão

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Um estudo conduzido na Universidade de Aarhus, na Dinamarca, chegou a uma conclusão que reforça esse ponto: para as próprias crianças, é importante que a brincadeira lhes pertença, e não aos adultos que as observam

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Cair de bicicleta, subir em uma árvore ou voltar para casa com os joelhos ralados fazem parte da memória afetiva de várias gerações e, para boa parte dos psicólogos do desenvolvimento, também cumpriam uma função pedagógica específica

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A chamada brincadeira de risco, na qual a criança testa limites físicos sob supervisão mínima, é associada por pesquisadores da área a ganhos em avaliação de perigo, superação do medo e maior confiança na própria capacidade de resolver problemas

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Embora o tempo de tela costume ser apontado como o principal responsável pelo declínio da brincadeira ao ar livre, pesquisadores da área ponderam que a explicação é mais ampla

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O aumento do tráfego, o desaparecimento de espaços públicos seguros, a redução do tempo de recreio nas escolas, o medo dos pais em relação à segurança e uma cultura que tende a supervisionar qualquer atividade infantil também empurraram a rotina das crianças para dentro de casa

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Nenhum pesquisador na área defende abrir mão das medidas de segurança conquistadas nas últimas décadas ou deixar crianças expostas a riscos reais e desnecessários

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O debate proposto pelos estudos mais recentes é outro: encontrar um meio-termo entre proteger e permitir que a criança desenvolva autonomia por conta própria, sem que cada minuto da brincadeira seja mediado ou vigiado por um adulto

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