Por que os jovens estão trocando o feed do celular por agulhas de tricô

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Todas as terças à noite, a advogada Jamyle Neves se senta em uma poltrona da Novelaria, um café especializado em tricô na Vila Madalena, em São Paulo, e passa três horas sem olhar para o celular, simplesmente porque as mãos e a cabeça estão ocupadas com outra coisa

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Ela é uma entre muitas pessoas que encontraram no tricô e no crochê uma maneira de se afastar das telas sem precisar fazer um esforço consciente. "A Novelaria nasceu em 2011 com o propósito pioneiro de ser o primeiro knit café do Brasil”, afirma sua fundadora, Aida Fonseca

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Segundo ela, cresceu o número de jovens da geração Z, além de executivos e um público masculino que antes praticamente não aparecia. Para essa geração que nasceu conectada, diz, o artesanal virou uma espécie de "luxo do analógico" — algo raro justamente por não caber em um feed

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Como é possível que repetir pontos ajude a desacelerar a cabeça? Para a psicóloga clínica Caroline Macarini, cofundadora da healthtech Unolife, atividades manuais e cadenciadas exigem atenção concentrada no “aqui e agora” e nos movimentos repetitivos

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Por isso, a busca pelo artesanato, pelo tricô, pelo crochê funcionaria “como um contra-ataque intuitivo à fadiga digital”, jogando uma âncora no mundo físico. Na prática, o hobby manual impõe um tempo próprio, que não dá para “acelerar em 2x”

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Enquanto "para as gerações anteriores, as atividades manuais eram muitas vezes vistas como obrigação doméstica” — pontua Macarini —, para quem nasceu já imerso no mundo digital, esse trabalho virou um ato de resistência a um cotidiano marcado pela hiperestimulação

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Segundo a psicóloga, esses hobbies oferecem experiências que a internet nem sempre consegue reproduzir: a satisfação de criar alguma coisa com as próprias mãos, o encontro presencial com outras pessoas e, talvez o mais simples, uma pausa, sem pressão para performar ou monetizar

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