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Historicamente, o café tinha uma missão bastante objetiva: acordar a pessoa. Era simples. Você bebia, ficava mais atento e seguia a vida. Se fosse um bom café, melhor ainda. Agora, aparentemente, isso já não é suficiente
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Dados de uma pesquisa divulgada pela National Coffee Association em parceria com a Specialty Coffee Association mostraram que, nos Estados Unidos, 66% dos adultos haviam tomado café no dia anterior. O consumo de café especial chegou a 47%, superando o tradicional, com 42%
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Ou seja: o café está cada vez mais próximo de ser uma categoria de comportamento do que apenas uma bebida. Assim, entram o cold brew, o nitro coffee e o universo dos RTDs — "ready to drink", os cafés prontos para beber
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E, então, o café ficou funcional. A indústria de bebidas descobriu que o consumidor quer saber além do que está bebendo: ele quer saber o que aquilo pode fazer por ele. Daí surgiram os cafés com proteína, colágeno, adaptógenos, cogumelos, vitaminas e outros ingredientes funcionais
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O café funciona como um veículo extremamente conveniente para ingredientes que o consumidor já associa a bem-estar, beleza, energia, concentração ou recuperação. A indústria de bebidas vem explorando essa combinação
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Uma reportagem recente do The Guardian sobre a explosão das bebidas funcionais chamou atenção para esse problema: ingredientes como "ashwagandha" e outros adaptógenos são vendidos associados a efeitos específicos, mas a qualidade das evidências científicas varia bastante
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Em outras palavras: colocar uma coisa saudável dentro de uma lata não transforma automaticamente a lata em saúde
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