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Quando um produtor rural entra em recuperação judicial, o impacto não fica restrito à fazenda. Ele costuma percorrer lentamente toda a cadeia do agronegócio, atingindo fornecedores de insumos, fabricantes de máquinas, transportadoras, cerealistas e até instituições financeiras
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É exatamente esse movimento que começa a aparecer nos dados da RGF Associados. Se, nos últimos dois anos, o foco da crise esteve dentro da porteira, agora os primeiros sinais de contaminação aparecem fora dela
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O levantamento mostra que a cadeia do agronegócio reúne hoje 313 empresas em recuperação judicial, mas alguns segmentos já apresentam aceleração expressiva. O número de atacadistas de máquinas agrícolas em recuperação cresceu 88,9% em um ano
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Para Claudio Damasceno, sócio sênior da RGF, existe uma defasagem natural nesse processo. "O produtor deixa de pagar primeiro. Depois de cerca de três trimestres, esse efeito aparece nas empresas que dependem dele."
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Essa lógica ajuda a entender por que o setor de máquinas costuma reagir mais lentamente às crises agrícolas. Quando a margem desaparece, o produtor adia investimentos, posterga a renovação da frota, reduz compras de equipamentos e renegocia financiamentos
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O cenário atual reúne praticamente todos os ingredientes para esse efeito cascata. O preço de diversas commodities agrícolas caiu nos últimos anos, enquanto juros elevados mantiveram alto o custo financeiro
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Segundo Damasceno, mesmo com o início da queda da Selic, o alívio não chega imediatamente ao campo. "A defasagem entre a redução dos juros e o efeito sobre a lavoura é de aproximadamente um ano."
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Enquanto isso, outro segmento merece atenção especial: o sucroenergético. Embora a soja concentre o maior número absoluto de recuperações judiciais, usinas e destilarias continuam registrando as maiores incidências proporcionais de insolvência
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O estudo também sugere que a próxima etapa da crise pode aparecer em setores que sequer fazem parte formalmente da cadeia analisada, como o transporte rodoviário de cargas
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