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A perspectiva de um dos episódios de El Niño mais intensos já registrados adiciona uma nova camada de risco à produção agropecuária no Brasil e no mundo
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Se as projeções se confirmarem, o fenômeno pode alterar o regime de chuvas em diversas regiões do país, afetando desde o plantio da soja até a formação da próxima safra de café, além de trazer impactos para a pecuária, o leite e até para os preços de algumas commodities
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Embora ainda seja cedo para estimar perdas de produção, o avanço das previsões climáticas faz com que produtores, tradings e analistas passem a monitorar com mais atenção a evolução do fenômeno nos próximos meses
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As duas principais culturas do país aparecem entre as mais vulneráveis às alterações climáticas provocadas pelo El Niño: soja e milho. O período entre julho e setembro é considerado decisivo porque antecede o início do plantio da soja
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Um plantio mais tardio reduz a janela ideal para o milho de segunda safra, aumentando a exposição da cultura à falta de chuvas no fim do ciclo. O mesmo pode acontecer para a cultura do algodão
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O café também está entre as culturas que exigem maior atenção. As chuvas fora de época já vêm interferindo na colheita em algumas regiões produtoras, como Minas Gerais. Agora, o foco do setor se volta para a florada, etapa fundamental para a formação da safra seguinte
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Os impactos não ficam restritos às lavouras. Ondas de calor previstas para estados como Mato Grosso podem afetar diretamente o desempenho dos animais. Além disso, caso soja e milho sofram perdas e os preços dos grãos subam, o custo da alimentação de aves, suínos e bovinos tende a aumentar
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Os efeitos do El Niño não serão uniformes no país. Na região Norte, por exemplo, a expectativa de chuvas muito abaixo da média aumenta o risco de seca, queimadas e perdas em culturas como cacau, mandioca, açaí e soja
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Em Mato Grosso do Sul e Goiás, o principal desafio tende a ser o calor durante o período de plantio da safra de grãos. Na região Sudeste, café, laranja, cana-de-açúcar, soja e milho podem enfrentar um cenário de chuvas irregulares e calor acima da média
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Para o cacau, o fenômeno provoca temperaturas mais elevadas e redução das chuvas em partes da África Ocidental, diminuindo a umidade do solo. As condições podem provocar estresse hídrico, especialmente para a cultura do cacau, que tem até 70% da produção global concentrada na região
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