Preservação ambiental passa a valer mais no mercado de carbono

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De forma silenciosa, técnica e ainda imperfeita, uma nova lógica econômica se desenha: a de que preservar pode valer mais do que destruir. E não como discurso, mas como fluxo de caixa, contrato, ativo financeiro

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No centro dessa transformação está o mercado de crédito de carbono, um sistema que monetiza a redução de emissões e transforma a conservação ambiental em ativo financeiro

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A Joias Ecológicas da Amazônia é uma das empresas de carbono que promete estruturar projetos socioambientais capazes de conectar comunidades da Amazônia ao mercado global

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A primeira iniciativa da companhia é em uma área de 600 mil hectares, dentro de uma reserva extrativista na Amazônia, onde vivem cerca de 6 mil pessoas. Mas o projeto geral da empresa é atingir 2 milhões de hectares de floresta preservados ainda em 2026

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O Brasil tem 109 áreas públicas elegíveis a esse tipo de projeto. A área é o Resex Médio Purus, uma reserva extrativista em terra pública, onde vivem comunidades tradicionais como ribeirinhos, seringueiros e extrativistas

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O acesso à Resex Médio Purus exige horas de estrada, seguidas por até 12 horas de barco. O racional econômico do Joias é direto, mas exige execução sofisticada. Cada projeto demanda cerca de US$ 2 milhões em investimento inicial, com um período de maturação de três a quatro anos até a primeira emissão de créditos

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Quando o projeto começar a gerar resultados, a divisão será 70% da receita para a comunidade e 30% para a empresa estruturadora. A expectativa desse caso concreto é de geração de aproximadamente 100 mil toneladas de carbono por ano

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Esses créditos são comprados por empresas com alta emissão de carbono, como companhias de energia, mineração, aviação e grandes empresas de tecnologia, que precisam compensar suas emissões para cumprir metas ambientais ou compromissos assumidos com investidores

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