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De repente, a colocação de uma vírgula em uma frase trivial — como “Oi, amigo” — começou a incomodar as pessoas e despertar desconfiança: será que quem escreve assim está usando inteligência artificial? Essa questão revela uma mudança curiosa na forma como avaliamos um texto
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Criadora da página “Português é legal”, a doutoranda e mestre em educação Carol Jesper afirma: “Durante muito tempo, o problema foi o medo de ser julgado por não dominar a norma-padrão. Agora surge, em alguma medida, o medo de ser julgado por dominá-la”
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Se, antes da IA, havia uma associação bastante automática entre um texto sem erros e uma pessoa estudada, inteligente ou competente, agora começa a surgir um outro nexo: se o texto da pessoa é sem erros, provavelmente é porque ela usou IA
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Um sinal fortemente associado à escrita do ChatGPT — o travessão — está perdendo força. Levantamento do The Economist, com 55.940 frases e 1,2 milhão de palavras, mostrou que só o Claude usou mais travessões que escritores humanos
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Mas o que faz exatamente um texto parecer escrito por inteligência artificial? A resposta costuma passar por características como frases muito organizadas, vocabulário sofisticado, pontuação cuidadosa e ausência de erros. Só que nada disso pertence exclusivamente à IA
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Carol Jesper conta que recebe relatos de quem preserva ou até simula erros de digitação e desvios gramaticais só para parecer mais humano. "Mas será que simular um erro basta como forma de expressão de humanidade?", questiona a educadora
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Por isso, Carol defende que ninguém abra mão da escrita cuidadosa para evitar suspeitas de uso de IA. Em contextos informais, diz a educadora, "há quem prefira afrouxar o uso das regras e há quem prefira se manter rigoroso. São escolhas pessoais e ajustes de registro"
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