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O Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) vive um paradoxo histórico. Estudo inédito divulgado pela Adobe Acrobat mostra que, entre 1998 e 2007, a prova concentrou quase 65% de todas as notas 1000 já registradas, enquanto na última década viu esse número desabar para menos de 2%
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Para Renato Júdice de Andrade, professor e diretor do COC, não se trata de uma "falha coletiva" dos estudantes, mas de uma mudança radical na natureza da prova: o Enem deixou de avaliar o "escrever bem" para exigir o "projetar um texto"
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A grande ruptura ocorreu em 2013, quando o MEC "blindou" o processo de correção. Segundo Andrade, o sistema tornou-se mais complexo por meio de três pilares, conforme vemos a seguir
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O fim da "média amigável" A margem de erro entre dois corretores caiu de 200 para 100 pontos totais (apenas 80 por competência). "Se um corretor via um 'brilho' autoral e o outro via um erro técnico, a nota passou a ser puxada para baixo", explica o especialista
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Critério gramatical Na competência 1, o rigor tornou-se binário. Apenas dois deslizes leves são permitidos para alcançar os 200 pontos. "Um erro de vírgula e um de acentuação já travam o aluno em 160", afirma Renato
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Repertório legitimado Na Competência 2, não basta citar filósofos; é preciso provar o "vínculo causal" entre a citação e o problema. Citações "enlatadas" são severamente penalizadas
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Enquanto o Sudeste se apoiava no volume e na tradição dos resultados anteriores, estados como Ceará e Piauí adaptaram-se com agilidade. Em 2023, o Nordeste garantiu 25 notas máximas contra 18 do Sudeste. Renato Júdice destaca que cidades como Teresina e Fortaleza transformaram a redação em uma "ciência aplicada"
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