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Boa parte da cultura do bem-estar trata a felicidade como o critério principal para decidir se uma vida deu certo. Mas será que sentir-se feliz, momento a momento, é o mesmo que viver uma vida boa?
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O psicólogo Joel Wong, da Indiana University, nos EUA, diz que não. Para ele, é perfeitamente possível “sentir-se feliz e, ainda assim, meio perdido — bem como é possível atravessar um luto com um forte senso de propósito”
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Ou seja, embora felicidade e sentido sejam ambos aspectos de uma vida boa, podem levar a resultados diferentes. No fundo, Wong quer desmontar a ideia muito difundida hoje de que “sentir-se feliz” é o critério principal de uma vida boa — e recolocar o sentido como eixo central
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Para entender por que essa equivalência não se sustenta, Wong começou pelo conceito mais imediato dos dois: a felicidade. Para ele, pessoas felizes tendem a vivenciar mais emoções agradáveis do que desagradáveis e relatam satisfação geral com a própria vida
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Para definir o sentido de vida, Wong recorre a um artigo teórico dos psicólogos Login George e Crystal Park, de 2016. Eles dividem o conceito em três eixos: a vida parece coerente, ou seja, faz sentido internamente; aponta para um propósito; e importa para além de si mesma
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Na prática, o que puxa felicidade não é o mesmo que puxa sentido. Enquanto o sentido está associado a ajudar pessoas, a felicidade aparece ligada ao autocuidado. Quem enfrenta mais dificuldades, tende a ser menos feliz, mas relata mais sentido de vida
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Tratar a felicidade como o único objetivo da vida humana talvez seja simplificar demais o que significa viver bem
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Para Wong, “viver de acordo com os próprios valores, buscar o que realmente importa e se dedicar a algo maior do que o conforto talvez seja uma das coisas mais profundamente humanas da experiência de estar vivo”
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