pvproductions/Magnific
Cada vez mais, cerimônias ao redor do mundo têm adotado o modelo “unplugged”, incentivando convidados a deixarem os aparelhos de lado. Além de preservar a privacidade, a ideia é garantir que as pessoas participem do momento de forma integral
Nothing Ahead/Pexels
Há por trás disso um comportamento sutil, mas irresistível: em vez de viver plenamente nossos momentos marcantes, passamos a mediá-los por dispositivos, como se o registro em si fosse parte essencial da própria experiência
Anna Shvets/Pexels
Para a psicóloga Ticiana Paiva, a hiperconectividade interfere diretamente na forma como percebemos o presente. “Hoje, muitas vezes, vivemos experiências já pensando em como vamos registrá-las ou compartilhá-las”, explica
Kasia Palitava/Pexels
Assim, a experiência deixa de ser vivida em si para se tornar apenas um conteúdo — e essa mudança não é apenas comportamental. Ela também afeta a forma como o cérebro constrói memórias
www.kaboompics.com/Pexels
Isso acontece porque o que transforma uma experiência em memória duradoura é a atenção e o significado emocional que atribuímos a ela; quando voltamos nossos olhos para o celular, a vivência se fragmenta
Erik Mclean/Pexels
Os efeitos da hiperconectividade vão além da memória individual e atingem em cheio a forma como nos relacionamos. Quando estamos com nossa atenção voltada para a tela, deixamos de observar as pessoas ao nosso redor
Swello/Unsplash
Em outras palavras, é a qualidade da atenção que define o que será guardado. Quanto mais dispersos, menor chance temos de transformar o instante vivido em uma lembrança rica
Thirdman/Pexels
Não se trata de abrir mão do celular: apenas escolher conscientemente quando fotografar e quando apenas observar. No fim, resume Ticiana Paiva, "viver é diferente de provar que viveu. E cuidar de alguém começa quando escolhemos levantar os olhos da tela e realmente enxergar quem está diante de nós"
Mizuno K/Pexels