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Por muito tempo, passar o fim de semana em casa, sem nenhum plano de sair, era apenas questão de preferência. Hoje, esse hábito parece ter virado rotina de uma geração inteira: levantamentos recentes mostram a Geração Z como uma das mais reclusas e solitárias da história moderna
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É nesse cenário que psicólogos vêm recorrendo ao termo hikikomori — cunhado no Japão para descrever jovens que se isolam em seus quartos por seis meses ou mais —, para nomear casos graves de isolamento social, impulsionados pela dependência da internet, ansiedade e fobia social
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Enquanto o hikikomori envolve reclusão social quase total e prolongada, evitar encontros presenciais ou resolver quase tudo pela tela pode representar apenas uma mudança no modo de se relacionar
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Para Ticiana Paiva, doutora em Psicologia e head da área na Starbem, a diferença é essa: isolamento não é, por si só, o problema. O alerta vem quando ficar em casa deixa de ser escolha e vira fuga de situações que geram ansiedade, desconforto ou medo da rejeição
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Na avaliação da psicóloga, ficar em casa deixou de ser uma exceção e passou a ser uma escolha socialmente mais aceita, reduzindo o estranhamento diante de jovens que preferem evitar encontros e atividades presenciais
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Um estudo publicado em 2025 na Scientific Reports dá números a essa mudança. Ao comparar adolescentes italianos antes e depois da pandemia, pesquisadores encontraram queda de 14% no lazer presencial com amigos e aumento de 9,7% nas interações online
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Para Paiva, "conexão não é sinônimo de vínculo". As redes sociais mantêm os jovens conectados o tempo todo, mas não ensinam o que só a convivência presencial desenvolve — lidar com o silêncio, interpretar expressões, sustentar uma conversa difícil e construir intimidade real
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“A pergunta não é quanto tempo o jovem passa em casa. A pergunta é: o que esse isolamento está custando?”, resume Paiva. Para a psicóloga, o principal critério é o impacto sobre a vida: estudos, trabalho, relações familiares, amizades e atividades que antes faziam parte da rotina
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"O isolamento saudável restaura. O isolamento que preocupa empobrece a vida, reduz as possibilidades de encontro e, aos poucos, faz o mundo da pessoa ficar cada vez menor. Esse é o momento de buscar ajuda”, conclui Ticiana
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