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Nas redes sociais, uma expressão ganhou força nos últimos meses para descrever um relacionamento que perdeu a intimidade: “fase colega de quarto”. É quando o casal deixa de se tocar e conversar sobre o dia a dia, e passa a dividir apenas a logística da casa
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Para tentar entender essa “crise de relacionamentos”, muitos tiktokers foram buscar, no final da década de 1950, uma teoria de desenvolvimento infantil e sobrevivência biológica que acabou se transformando em um guia de conselhos amorosos: a Teoria do Apego
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Se um namorado some do WhatsApp e a proximidade esfria, ele recebe um rótulo do Apego Adulto: "Ele está agindo como um evitativo". Mas a explicação, segundo a teoria original de John Bowlby, seria esta: o sistema de apego dele foi moldado na infância por pais distantes
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O problema é que a teoria do psiquiatra britânico descreve como o vínculo entre bebês e cuidadores molda expectativas sobre relacionamentos futuros. Ou seja, é um modelo sobre a infância, não um diagnóstico de comportamento amoroso adulto do século 21
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O psicólogo e pós-doutor em psiquiatria, Cristiano Nabuco, afirma que o interesse crescente pelo tema é bem-vindo: funciona como mais um insumo para as pessoas desenvolverem autoconsciência sobre o próprio comportamento
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Nabuco explica que o problema começa no que se entende por estilo de apego. Isso porque temos uma tendência a comparar o comportamento da pessoa a uma caricatura
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O "boom" da teoria do apego nas redes sociais trouxe consigo uma discussão: o rótulo serve como ferramenta de autoconhecimento ou só mais uma desculpa para não mudar? Segundo Nabuco, ele “serve como um ponto de partida para que o indivíduo entenda a maneira como ele funciona”
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Para Nabuco, o rótulo até pode virar desculpa, mas é muito mais uma explicação. Como esses modelos funcionam de forma inconsciente, a vantagem de conhecer o próprio padrão não está no rótulo em si, mas em tirar essas reações do piloto automático e trazê-las para a consciência
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