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Embora o sistema nervoso entérico — a rede de neurônios que governa o trato gastrointestinal — seja descrito na anatomia clássica há mais de um século, muita gente continua acreditando até hoje que o intestino não passa de uma espécie de tubo passivo de transporte de comida
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Em uma entrevista recente à Harvard Medicine, a professora e autora Trisha Pasricha explica que essa rede de nervos do intestino afeta o humor, a imunidade, a produção de neurotransmissores e pode até ser o local de origem de doenças como o Parkinson
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"Tudo o que você faz — sejam os seus pensamentos, seu humor, o que você come —, todas essas coisas terão um grande impacto no seu intestino. E, como consequência, isso vai influenciar todos os outros aspectos da sua saúde”, afirma Pasricha em sua entrevista
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Não é por acaso que sentimos a necessidade urgente de ir ao banheiro antes de uma apresentação, ou temos prisão de ventre durante períodos de estresse. Tudo isso é resultado de uma ligação real: anatômica, elétrica e hormonal
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Em seu laboratório em Boston, a equipe de Pasricha identificou que muitos pacientes com doença de Parkinson relatavam histórico anterior de úlceras. A pesquisa mostrou que lesões gastrointestinais antigas estavam associadas a um risco 76% maior de desenvolver a doença
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Pasricha afirma que o papel do intestino tem sido subestimado na saúde e no bem-estar geral. A reconfiguração que a neurogastroenterologista propõe é concreta: tratar o intestino como um cérebro — "que é como eu penso no meu intestino e como eu o trato", diz
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O intestino merece, portanto, o mesmo cuidado dispensado ao sistema nervoso central: ele recebe sinais do que comemos e sentimos — e responde influenciando humor, metabolismo e saúde de forma ampla
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