Muitas mulheres só percebem anos depois que viveram violência obstétrica

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O nascimento de um filho é frequentemente visto como um momento marcante na vida de uma mulher, mas, para muitas mães, o parto também pode envolver medo, humilhação, solidão e intenso sofrimento emocional

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Em muitos casos, a percepção de que houve violência obstétrica surge apenas anos depois

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A violência obstétrica ainda é frequentemente naturalizada, levando muitas mulheres a aceitarem abusos, falta de acolhimento e procedimentos sem consentimento como parte normal do parto

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Na prática clínica, é comum encontrar pacientes que carregam durante anos sentimentos persistentes de culpa, tristeza, raiva, medo ou inadequação sem conseguir relacionar essas emoções à forma como foram tratadas durante o nascimento do filho

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Muitas só conseguem reconhecer o trauma quando encontram um espaço seguro para falar sobre a própria experiência

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O mais delicado é que o trauma nem sempre aparece de forma evidente. Às vezes, ele se manifesta através de crises de ansiedade, medo de engravidar novamente, dificuldade de vínculo materno, depressão pós-parto ou uma sensação constante de fracasso e impotência emocional

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A violência obstétrica vai além da agressão física, manifestando-se também na negligência, na desumanização do cuidado e na perda da autonomia da mulher

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