Por que diagnosticar e tratar a endometriose é um desafio da medicina

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Cólicas incapacitantes, dor crônica e dificuldade para engravidar fazem parte da rotina de quem vive com endometriose

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Segundo a OMS, a doença afeta cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva no mundo,  e entre 5% e 15% no Brasil, de acordo com o Ministério da Saúde. O diagnóstico pode demorar anos e não há cura, apesar de avanços no tratamento e no entendimento da condição

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A endometriose se caracteriza pela presença de tecido semelhante ao endométrio, o revestimento interno do útero, fora da cavidade uterina. Essas células podem se implantar nos ovários, nas tubas uterinas, no intestino ou no peritônio (membrana abdominal)

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As células reagem aos hormônios do ciclo menstrual da mesma forma que o endométrio intrauterino: crescem, se rompem e sangram. Fora do útero, porém, esse sangramento não tem como ser expelido, o que provoca inflamação, aderências e dor

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Por esse comportamento, a doença é considerada benigna, mas crônica e recidivante. Até hoje, não há tratamento capaz de eliminar completamente as lesões e impedir que elas retornem

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Isso não significa que todas as pacientes convivam com sintomas ao longo da vida. Com acompanhamento e tratamento adequados, muitas conseguem controlar a dor e preservar a fertilidade

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Condição multifatorial Descrita há mais de um século, passou a ser compreendida com mais profundidade pela medicina apenas nas últimas décadas, com os avanços nas pesquisas sobre inflamação, dor crônica e infertilidade, que revelaram a complexidade de seus mecanismos

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O principal desafio para médicos e pacientes continua sendo o diagnóstico da endometriose. O exame padrão-ouro é a videolaparoscopia com biópsia, mas o procedimento é invasivo e não indicado como primeira abordagem

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Nos últimos anos, exames de imagem como a ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal e a ressonância magnética pélvica ganharam espaço por apresentarem boa acurácia na identificação das lesões

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Mesmo com essas ferramentas, porém, o avanço mais urgente da ciência está na identificação precoce da doença — uma dificuldade que não se restringe a países com menos recursos

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O que falta é um pouco de trabalho do ponto de vista governamental e político com campanhas públicas que massifiquem a mensagem para que as mulheres entendam que aquela cólica forte não é normal. A partir do momento que elas têm cólica menstrual intensa, devem procurar o sistema de saúde

Ricardo De Almeida Quintairos, ginecologista