Freepick
Cólicas incapacitantes, dor crônica e dificuldade para engravidar fazem parte da rotina de quem vive com endometriose
cottonbro studio/Pexels
Segundo a OMS, a doença afeta cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva no mundo, e entre 5% e 15% no Brasil, de acordo com o Ministério da Saúde. O diagnóstico pode demorar anos e não há cura, apesar de avanços no tratamento e no entendimento da condição
Sora Shimazaki/Pexels
A endometriose se caracteriza pela presença de tecido semelhante ao endométrio, o revestimento interno do útero, fora da cavidade uterina. Essas células podem se implantar nos ovários, nas tubas uterinas, no intestino ou no peritônio (membrana abdominal)
Freepick
As células reagem aos hormônios do ciclo menstrual da mesma forma que o endométrio intrauterino: crescem, se rompem e sangram. Fora do útero, porém, esse sangramento não tem como ser expelido, o que provoca inflamação, aderências e dor
cottonbro studio/Pexels
Por esse comportamento, a doença é considerada benigna, mas crônica e recidivante. Até hoje, não há tratamento capaz de eliminar completamente as lesões e impedir que elas retornem
Freepick
Isso não significa que todas as pacientes convivam com sintomas ao longo da vida. Com acompanhamento e tratamento adequados, muitas conseguem controlar a dor e preservar a fertilidade
Sora Shimazaki/Pexels
Condição multifatorial Descrita há mais de um século, passou a ser compreendida com mais profundidade pela medicina apenas nas últimas décadas, com os avanços nas pesquisas sobre inflamação, dor crônica e infertilidade, que revelaram a complexidade de seus mecanismos
ROCKETMANN TEAM/Pexels
O principal desafio para médicos e pacientes continua sendo o diagnóstico da endometriose. O exame padrão-ouro é a videolaparoscopia com biópsia, mas o procedimento é invasivo e não indicado como primeira abordagem
Freepick
Nos últimos anos, exames de imagem como a ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal e a ressonância magnética pélvica ganharam espaço por apresentarem boa acurácia na identificação das lesões
MART PRODUCTION/Pexels
Mesmo com essas ferramentas, porém, o avanço mais urgente da ciência está na identificação precoce da doença — uma dificuldade que não se restringe a países com menos recursos
Polina Tankilevitch/Pexels
O que falta é um pouco de trabalho do ponto de vista governamental e político com campanhas públicas que massifiquem a mensagem para que as mulheres entendam que aquela cólica forte não é normal. A partir do momento que elas têm cólica menstrual intensa, devem procurar o sistema de saúde
Ricardo De Almeida Quintairos, ginecologista