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Há clichês que sobrevivem porque fazem sentido. Dizer que São Paulo é uma cidade onde se pode viajar sem entrar em um avião é um deles. Basta caminhar algumas quadras para mudar de idioma, de paisagem e de repertório à mesa
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Na Liberdade, lanternas, templos, mercados e restaurantes contam uma história japonesa que começou oficialmente em 1908, mas que há décadas divide espaço com chineses, taiwaneses e outras comunidades asiáticas
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No Bom Retiro, letreiros em coreano convivem com o comércio de roupas que transformou o bairro e com restaurantes onde a carne chega à mesa para ser grelhada na hora. Mais adiante, cozinhas tailandesa, indiana, nepalesa e vietnamita ganharam seus próprios endereços
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São Paulo recebeu imigrantes, pessoas que não trouxeram apenas receitas na mala. Com elas vieram ingredientes, técnicas, religiões, festas, mercados, maneiras de comer, negócios familiares, associações, escolas, templos e memórias
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A história da imigração asiática na cidade pode ser lida nos museus e nas instituições que preservam essas memórias, mas também nas feiras de rua, nos balcões apertados, nas grelhas acesas, nas padarias, nos mercados de ingredientes importados e nas mesas de restaurantes
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A Liberdade tornou-se o símbolo da presença japonesa, mas a história do bairro é mais complexa do que seus atuais portais vermelhos e lanternas. A região foi se transformando à medida que novas comunidades chegaram. Chineses e coreanos também passaram a ocupar o território, abrir negócios e criar redes próprias
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A transformação da comida japonesa talvez seja o exemplo mais evidente de como uma cozinha de imigração pode mudar de status. Primeiro vieram os restaurantes voltados para a própria comunidade. Depois, o sushi começou a conquistar os paulistanos
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Se a Liberdade é o grande símbolo da presença japonesa, o Bom Retiro é onde a história coreana ganhou uma de suas expressões mais fortes. A chegada dos sul-coreanos ao Brasil começou na década de 1960 e, com o tempo, o bairro se transformou em um importante centro comercial e cultural da comunidade
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Durante muito tempo, tudo que vinha do Extremo Oriente acabava reunido em uma categoria genérica: “comida chinesa” ou “comida oriental”. Aos poucos, São Paulo passou a distinguir regiões, ingredientes e culturas
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São Paulo não apagou as origens dessas cozinhas ao incorporá-las. Ao contrário: quanto mais a cidade as adotou, mais espaço elas ganharam para contar de onde vieram
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